sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O prazer e a angústia do tradutor


Sempre admirei o trabalho de um escritor. Os de não ficção pela pesquisa incansável que fazem sobre um assunto para escrever um livro, na maioria das vezes durante anos a fio. Os de ficção pela genialidade em construir o enredo, fazer nascer cada personagem, suas particularidades e minúcias, tecendo a trama de forma a prender a atenção do leitor. Para mim isso é trabalho de gênio.

Como tradutora tenho uma admiração pelos escritores e um respeito profundo pelo trabalho deles. Traduzir um livro é algo que me dá muito prazer, mas às vezes exige paciência e pesquisa na busca do melhor termo, da melhor palavra que traduza o intraduzível. Ser o mais fiel possível ao texto, se é que isso é inteiramente possível, procurar ao máximo transmitir as idéias de um autor de uma língua para outra sem interferir no seu tom, na sua forma de se comunicar com o leitor. É imprescindível ser imparcial e respeitar o autor em cada palavra escolhida. Que autor gostaria de ver sua idéia modificada por um tradutor?

Paulo Rónai, escritor e tradutor do francês, conta que antigamente na França havia tradutores que simplesmente pulavam trechos do original quando não o entendiam, deixando o texto cheio de buracos, às vezes, incompreensíveis para o leitor. No Brasil, hoje em dia, percebe-se o empenho de algumas editoras em apresentar cada vez melhores traduções. Paulo Bezerra, que está traduzindo a obra de Dostoiévski, Os irmãos Karamazov, diretamente do russo, fala da empatia que o tradutor deve ter com o autor que está traduzindo. No seu caso, ter empatia com Dostoiévski nem sempre é a coisa mais agradável do mundo, é preciso mergulhar no mundo particular do autor e compreendê-lo, tarefa muitas vezes árdua e que exige muita pesquisa e empenho.


Para o tradutor, ver o trabalho publicado é um misto de alegria e angústia, porque todo tradutor sabe, no fundo, que a tradução perfeita não existe.


8 comentários:

Wagner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Luisa disse...

Oi lindinha!!!
Obrigada pela visita, adorei receber vc por lá.

Linda a simulação do bebê na barra à direita.

Ó, volte sempre...será muito bem vinda. Seu espaço é muito bacana.

beijão.

Jeanne disse...

Eu como simples leitora, nunca tinha pensado neste desafio do tradutor.
Realmente é um trabalho muitas vezes despercebido, mas de suma importância.
Ainda bem que vcs existem e fazem um excelente trabalho.
Beijos

Adriana disse...

Oi Rosana!!

Passei por aqui para agradecer sua visita tão carinhosa lá no meu blog 'magnetismo' e amei teu espaço! Tão simples e aconchegante, esse fundo branco, essa imagem do mar, transmitem uma sensação tão boa, gostei! Amei o texto do Prof. Hermógenes, o azul é minha cor preferida! :)

Realmente, o trabalho do tradutor é muito delicado, nem tão valorizado às vezes, mas importantíssimo! E agora com essas novas regras do português, um trabalho extra para se adequar, hein?

Querida, passei aqui rapidamente, mas voltarei outras vezes, fique à vontade para voltar sempre que quiser, tanto no blog 'magnetismo' quanto no 'espirita na net', vc será sempre muito bem-vinda!

Beijos!

GRACE OLSSON disse...

o tradutor tem papel muito importante...porq ue se ele faz como os que pulam trechos inteiros...os livros naof ariam sucesso algum mundo afora.
belo trabalho o seu, Princea
Beijos e dias felizes,MAE GLOBAL

Tina disse...

Oi Rosana!

Realmente um trabalho para se tirar o chapéu: eu sei o quanto é difícil achar a palavra que melhor se encaixa, já trabalhei com isso. Parabéns e obrigada pela visita e comentário lá no Blue Moon< volta mais vezes, combinado ?

beijos e bom fim de semana,

Patty disse...

Rosana querida,
Sabe que eu nunca tinha pensado desta forma? Menina, fui lendo e imaginando a situação.

O tradutor tem que ter além do conhecimento técnico uma sensibilidade aguçada né?

Beijo e boa semana

Saramar disse...

Rosana, muito prazer por conhecê-la.
Admiro muito sua profissão, para mim, uma das mais difíceis domundo. Digo isso porque trabalho com revisão de textos e, como você, tenho o maior respeito pelos textos que me são entregues.
Neste meu ofício que jamais se compara ao seu, percebo a necessidade tentar compreender o objetivo e o a alma do autor.
Imagino, então, as dificuldades, a luta envolvida neste trabalho.

Obrigada.

beijos